Editorial 29.10.2018

“Tá consumado”

Vital Sousa

“Tá consumado”. Meu irmão Luiz Carlos Peres de Souza, falecido recentemente, encerrava suas cartas às namoradas, no final da década de 60, com um “The end”. Era a época dos enlatados na TV e os filmes sempre terminavam com o “The end” e como achava bonito, encerrava desta forma suas missivas. O fim. Eu ria muito do seu jeito peculiar de escrever. Fui crescendo e aprendendo que o fim poderia ser o sinal de novo começo. Tal como o fim mais simbólico da história da humanidade, como quando Jesus pronunciou: “Está consumado”. Em seguida faleceu. Mas o fim de sua vida física não acabou com a história e sim foi o início de um grande recomeço que dividiu a história do mundo. A partida de Jesus na concretude de sua vida física ainda é algo muito sensível na vida de muitos cristãos, lembrando todo o sofrimento injusto, que lhe fora imposto.
“Tá consumado”. Graças a Deus este domingo – 28.10.2018 – chegaram e acabaram-se as eleições de 2018 no Brasil. O “The end” ou “tá consumado” felizmente se concretizou, e entre mortos e feridos… até o candidato a presidente, líder das pesquisas, quase veio a óbito com uma facada, alguns militantes morreram pela falta de respeito ao contraditório, fato ocorrido em ambos os lados.
“Tá consumado”. Agora é o novo começo. Parabéns aos vencedores. Uma pequena fase de transição e os novos governos assumirão para quatro anos de mandato.
“Tá consumado”. Esta eleição foi muito pedagógica. O uso das redes sociais foi o diferencial, deixando a grande impressa sem o poder da informação e do convencimento, fato que já fora realidade em diversos países, destacadamente na França com a eleição de Macron e de Trump nos EUA. Ainda teremos muito a estudar para compreendermos como esta nova tecnologia impactará a democracia em dezenas de países.
“Tá consumado”. O que mais doeu foi o racha nas eleições presidenciais. Famílias divididas, igrejas divididas, amizades rompidas em nome de pseudo política democrática, onde o valor do outro foi sobrepujado ao que “eu acho”. Vasos quebrados sem a possibilidade de serem reconstituídos, agressões jogadas ao vento geradoras de desconfiança e que impedirão o restabelecimento do bom convívio, do convívio fraterno. Que Deus nos ilumine em nossas ações para as possíveis reconstruções…
“Tá consumado” indica o começo de uma nova etapa, onde o povo não será mais o protagonista, mas, sim os eleitos. Entre a campanha e o governo existe um grande hiato. Apesar de ter sido uma campanha sem a exposição dos projetos, focada nas desconstruções, só agora veremos o que os eleitos farão com o meu, com o seu voto. Assinamos quase uma carta em branco, em virtude do modo como ocorreu tais eleições.
“Tá consumado” entretanto, não podemos ficar circunscritos em um quadrado imaginário, sem saídas, existe uma saída para este labirinto chamado de Brasil. “Sabemos que somos nós que obedecemos ‘fantasmas’ do passado. A vida é maravilhosamente infinita para vivermos circunscritos dentro de quadrados imaginários.” Roberto Shinyashiki. O Brasil não é um quebra-cabeças, é uma nação, com grandes riquezas, onde o seu povo necessita de bons serviços prestados pelo estado. Qual o investimento em ganhos reais para os brasileiros na descoberta do pre-sal? Nosso povo mais humilde continua padecendo com a falta da presença do estado, mesmo com os programas sociais que são incipientes. Pagar, só com juros, 100 bilhões por ano, não é justo, este é preço da miséria imposta aos brasileiros. Acorda Brasil!
“Tá consumado” a eleição acabou e os vencedores comemoram, os perdedores fazem os seus discursos de despedidas. Ganhadores e perdedores precisam agora se unir em prol do Brasil, é a nossa oração. O fim desta fase é o prenúncio da próxima e que seja de alegrias/conquistas para o nosso povo. O senador e pastor batista, Magno Malta, ora neste momento agradecendo pela eleição do novo presidente. Agradeçamos nós também.
“Tá consumado” Jair Bolsonaro é o presidente eleito do Brasil. Vida nova, novas esperanças. E que Deus nos abençoe.