Editorial de 04.11.2018

“É tempo de a(moro)sidade…”
Depois do tiroteio incessante no segundo turno das eleições presidenciais no Brasil em 2018, eis que o futuro governo começa a montar a sua equipe e a grande novidade, sem dúvida, é o nome do juiz federal Sérgio Moro, como futuro Ministro da Justiça. Certamente não se pode afirmar que Sérgio Moro é um grande sinal de amorosidade, mas, sem dúvida é um grande sinal de justiça, competência e coragem, e isto é primordial ao futuro governo. Mas, Moro também lembra amorosidade, por que não? Faz parte do seu nome. É tempo de amorosidade, e convém repetir as palavras bíblicas:
“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.” Eclesiastes 3:1-8
É tempo de paz, pelo amor de Deus. Chega de guerra. É hora dos vencedores comemorarem e os vencidos, chorarem. Não existe terceiro turno de eleições. O sufrágio já se deu nas urnas. Já se deu a vontade do povo, soberana, exigência da democracia representativa.
Alguns grupos já estão promovendo um período de orações, algo de 70 dias, entre os evangélicos, e cerca de onze novenas entre os católicos, ininterruptas. Um momento de preces. Vamos ser gratos, além da política, existe a vida.
O Brasil carece de amorosidade, já temos problemas demasiados e somente com amor poderemos nos unir para superá-los. A amorosidade ultrapassa e muito os limites da política. Mas não podemos esquecer das faltas de amorosidade, políticas, destaco 10, apenas:
1) O Brasil ser considerado o terceiro país mais ignorante do mundo;
2) 13 milhões de desempregados;
3) 50% dos aposentados do INSS recebem em torno de um salário mínimo;
4) 63,8 mil pessoas assassinadas por ano;
5) 38 milhões de analfabetos funcionais;
6) 5,2 milhões de brasileiros passam fome;
7) Mais de 2 milhões de crianças fora das escolas;
8) Países com Índice de Desenvolvimento Humano igual ao brasileiro têm uma carga tributária de 25%, no Brasil é de 47,9%;
9) 5o. número de habitantes – 3o. população carcerária
10) 8a economia do mundo (PIB) – Qualidade de vida: 37a
Aprendi que a política é amoral, mas, ao longo da vida, mudei o entendimento achando que sempre ela é imoral, agora quero mudar de novo, entendendo que ela pode ser moral, mas… pode? Ao abandonar 22 anos de magistratura e com uma carreira segura, com tudo para se aposentar como desembargador ou ministro de um órgão da justiça, Sérgio Moro opta por servir ao país e largar a magistratura. E me fez repensar a política. Logo me lembrei de Rui Barbosa, o grande jurista brasileiro e o primeiro ministro da Fazenda da República. Busquei as semelhanças da vida de Rui Barbosa e de Sérgio Moro e fiquei impressionado. Realmente a política pode ser moral. A famosa frase de Ruy Barbosa ainda me deixa perplexo, mas, cheio de esperanças, ao pensar no seu contrário: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.” Rui Barbosa – Nota: Trecho do discurso proferido no Senado Federal, em 1914.
Agora vi uma luz no fundo do poço. Pode não dar em nada. Mas já é uma esperança.
Obrigado Bolsonaro. Obrigado Sérgio Moro. Obrigado Ruy Barbosa. E que Deus nos abençoe.

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