Editorial de 11.11.2018

“O Brasil erradicará sua metástase?
De primavera em primavera…”

E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais. João 8:11.

“Nunca na história deste país” tivemos uma primavera tão efervescente. Desculpe-me pelo plágio com a frase lulista. O povo saiu às ruas objetivando manifestar o seu desencanto com a esquerda brasileira. Uma esquerda muito mais à la cubana do que à lá norte-americana e deu no que deu, Bolsonaro eleito. Nunca se viu, também, nem se imaginou, uma esquerda tão corrupta, na história mundial. O brasileiro comum, nem de esquerda, nem de direita, nem de centro, se percebeu com mínimas opções de escolhas, escolhas coerentes com todos os seus valores; entretanto na ausência de um candidato que o representasse integralmente e querendo se livrar da corrupção, optou por Bolsonaro. A voz do povo é a voz de Deus, diz o ditado popular, apesar de tal ditado não ser verdadeiro, temos que respeitar a democracia.

O câncer da corrupção se alastrou, existe metástase, garante os especialistas. Será? Eu prefiro acreditar no novo homem, reformado, seguindo as recomendações de Jesus: “Vai e não peques mais.” É hora do Brasil segurar a metástase.
“É primavera”, encantava Tim Maia, com aquele vozeirão indescritível. Na poesia de Cassiano e Silvio Rochael o arremate que “o céu está tão lindo, vai chover” se fixou na mente e no coração de todos com a esperança de bons dias, dias de abundância, de alegria, de paz, de buscas, encontros e trocas. Da primavera de Praga em 1968, passando pela primavera árabe, chegamos à primavera brasileira. E que primavera! De mudanças radicais. E vindas da essência, do povo, das urnas, dos votos, dos devotos de uma real democracia.

Primavera tem sempre um sentido nostálgico, capaz de reavivar na memória, o sentir do lado bom, do sensível, da lembrança dos bons momentos! Ao dividir o tempo anual em quatro estações foi reservado ao período da primavera o momento do encantamento, do deslumbre…quando as flores desabrocham com a força da natureza; nas lavouras gera vida ao transformar suas flores em frutos que serão alimentos necessários para nutrir os animais, principalmente os homens, neste nosso torrão natal. Aqui no Brasil, hemisfério Sul, o verão chegará em 21 de dezembro, e será um verão quente com um novo governo de plantão e uma oposição ferrenha. E o novo governo, de humanos, obviamente poderá errar… entretanto, o que se espera é que este ao cometer seus erros, tenha a hombridade de reconhece-los, mudando de rumo para o bem de todos, para o bem da nação, mas, sem corrupção, sem maldade.
Fundamental sermos realistas e encarar o recado direto de Cazuza com o slogan “Brasil, mostra a sua cara”, mas, sem desprezar o lado humano, poético e fraterno de João Alexandre “Existe uma chance de ser novamente feliz”, em sua canção “Pra cima Brasil”. É chegada a hora do Brasil mostrar a sua cara, sem eufemismos, na carne mesmo, escancarando todos os porões e após a nudez cobrir-se das mais belas e ricas construções humanizadas, tipo mesmo de “Pra frente, Brasil”.

É hora da operação crucial, de arrancar o câncer do coração do Brasil, erradicando qualquer possibilidade de metástase, para que com um coração limpo possamos abrir para as primaveras e suas consequências.
Vai… Brasil.
Vai.
Vai.
E que Deus nos abençoe.