Editorial de 22.10.2018

Por Vital Sousa

“O que pensa, Maria?”

 

Maria é ainda o nome preferido dos brasileiros. É um nome de grande significado para cristandade, mas, biblicamente “Ana” é o nome feminino mais significativo, para mim, e, com apenas três letras, e uma delas duplicada, sintetiza a mulher que suporta, mas, vence com tenacidade e fé, resiliência pura. Eu tive uma mãe chamada Ana, tenho uma irmã Ana, sobrinhas Anas e muitas amigas são Anas. Mas Maria sintetiza todas as mulheres brasileiras, então, o editorial de hoje é “um possível diálogo” com as nossas Marias – representativas ou não – de cada dia.
O que pensa, Maria?
O que pensa dessa dualidade política, onde a desconstrução do outro se tornou o principal motivo da propaganda política, eleitoral ou eleitoreira?
O que pensa desta guerra santa, onde os chamados “santos” se colocaram em lados opostos, numa espécie de “fogo amigo”, onde os principais valores éticos e morais foram deixados de lado em nome de uma falácia política, mesmo sendo qualquer um deles o vencedor?
O que pensa de algo tão importante, como a escolha de um presidente com tantos poderes, onde o fator mercado, onde negócios são feitos como “compra” de declarações inverídicas para denegrir a imagem do adversário?
Sei que você anda pensando muito, Maria. Nesse turbilhão de informações, como separar o falso do verdadeiro, pois já se evidenciou que existem até as chamadas fake-news da fake-news, onde se inventam mentiras, mas são mentiras depreciativas sobre o grupo que se defende, para que os leitores possam ter o entendimento que o outro grupo está sendo desleal, desonesto. É muita mentira em jogo.
Você que é uma Maria que não aguenta mais, na lembrança triste da música do Milton Nascimento que diz: “De uma gente que ri quando deve chorar. E não vive, apenas aguenta”. Maria que quer viver, que quer sonhar, que quer andar, como poetou Cartola em “Preciso me encontrar”.
O que pensa, Maria?
Quando numa terra tão rica o que se ganha não dá nem para comprar o pão nosso de cada dia?
Onde não existem creches suficientes para abrigar as crianças quando as mães necessitam de dupla, tripla jornada de trabalho, para atender as necessidades básicas de seus filhos?
Onde hospitais deixam de ser construídos em função da avassaladora corrupção, as verbas ficam pelo caminho, e o povo sofre com as doenças, perdendo seu bem mais precioso, a vida?
Onde um bandido, na busca de recursos para o vício, em geral, acabam com vidas produtivas por um celular, um tênis, um maço de cigarros?
Onde o “trottoir” político se torna um frenesi a cada dois anos, burlando leis e denegrindo pessoas em nome de uma pseudo-democracia, onde o poder vale tudo, mas, tudo mesmo?
O que pensa, Maria?
Vivendo neste país abençoando por Deus, de clima tropical, um verdadeiro continente, onde a humanidade deposita as esperanças como celeiro do mundo nas próximas décadas, mas, em meio à corrupção vivida cotidianamente, não é capaz de alimentar direito nem a sua população, como explicar o inexplicável, Maria?
O que fazer, Maria?
Maria, o que pensa?
É hora de decisão.
É hora de coerência.
É chegada a sua hora Maria.
Chega de pensar.