Editorial O silencioso legado de um missionário voluntário João Martins Leite Monteiro – 1889/1957

O silencioso legado de um missionário voluntário
João Martins Leite Monteiro – 1889/1957

Vital Sousa, editor

“Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.” 1 Coríntios 3:6,7

UM SÉCULO PROPAGANDO O EVANGELHO DE JESUS

O centenário da Convenção Batista Mineira (CBM) é um momento ímpar para as devidas avaliações e agradecimentos.
Algumas Convenções batistas já ganharam o privilégio de comemorar tal data, mas para os batistas mineiros se torna um momento de gratidão redobrada, pois nenhuma enfrentou “uma pedra tão grande no caminho”, como escreveu o grande mineiro Carlos Drumond de Andrade, como a Convenção Batista Mineira.
Fez-se necessária muita resiliência para o amor não esfriar e conseguir ser “mais que vencedores, em Cristo Jesus”.
A proposta deste editorial é a de resgatar a história, sem perder a realidade do presente e os sonhos do futuro. “A história é testemunha do passado, luz da verdade, vida da memória, mestra da vida, anunciadora dos tempos antigos.” Cícero.
É impossível escrever uma história sem dados e os dados apontam, sempre, para os líderes que, em geral, oferecem a sua vida pela causa e com a instrumentalidade outorgada por Deus, realizam e deixam um legado visível; entretanto, começaremos esta história com os anônimos, os milhares de anônimos que fizeram e fazem a história dos batistas de Minas Gerais e do mundo e por ora, render gratidão a Deus por tê-los inseridos no seio desta comunidade, tornando-a forte, na graça do Senhor.
João Martins Leite Monteiro representa todos os anônimos desta lide, e que muito contribuiu pela Causa de Jesus em Minas Gerais, através dos batistas. Quem era? Buscarei resumir sua história nesta introdução. Um homem que veio de Portugal muito jovem (Revolução do Porto), 18 anos, sem recursos e com poucas oportunidades no Rio de Janeiro, onde chegou em 1907, e logo, decidiu mudar-se e residir em Minas Gerais. Outros portugueses vierem na época da “Devolução”.
Morreu analfabeto, mas isto não o impediu de crescer e ser um fazendeiro influente em Minas Gerais e interior do Estado do Rio de Janeiro. Era um grande “missionário sustentador” através da JMN e JMM. Cooperou muito com o Colégio Batista Mineiro doando livros, uniformes e bolsas de estudo.

Custeou as despesas dos seminaristas Casemiro Gomes de Oliveira e de Antônio Maurício no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, no Rio de Janeiro; e, com quantias significativas cooperou para a compra do maquinário da JUERP, que tanto abençoou os batistas no século passado, com livros, jornais, folhetos, etc e etc. Sua frase preferida ainda ecoa nos corações dos batistas: “-Oh Deus, tem piedade de mim, preciso muito de ti!”.
Na rica história da Igreja Batista do Meiér do Rio de Janeiro, Casemiro, de 1915 a 1918, foi o responsável pelo “ponto de pregação” local que se tornou a bela igreja e Casemiro era sustentado por João… Casemiro deixou um grande legado, foi discipulado pelo Pr. Otis Maddox e serviu por longos anos na PIB de Belo Horizonte.
Obrigado Deus, pela vida de João Martins Leite Monteiro e de todos os Joãos e Marias que fizeram e fazem a história anônima dos batistas em Minas Gerais e no mundo inteiro.

OS BATISTAS MINEIROS ANTES DA ORGANIZAÇÃO DA CONVENÇÃO
A história dos batistas mineiros é muito rica e começou muito antes da organização da Convenção Batista no Estado. Esta organização ocorreu em 1918, mas em 1889 os batistas já estavam em solo mineiro estruturando a primeira igreja batista no Estado, a Primeira Igreja Batista de Juiz de Fora.
Outras igrejas batistas mineiras experimentaram a festa do centenário antes da Convenção: PIB Montes Claros; PIB Divinopólis; PIB Belo Horizonte; PIB Juiz de Fora;

OS MISSIONÁRIOS OTIS E EFFIE MADDOX
Effie Maddox ficou conhecida no Brasil por Efigênia. Em 1906 o casal de missionários chegou ao Brasil, nomeados pela então Junta de Richmond se estabelecendo no Rio de Janeiro. O Pr. Maddox serviu no Rio de Janeiro por 12 anos, pastoreando igrejas no Rio de Janeiro e São Paulo: Rio de Janeiro; Niterói; Paraíba do Sul; Anta em Sapucaia; Barão de Aquino em Sumidoro; Valença; Aparecida; Três Rios; Barra do Piraí; e Sarandi. O Brasil batista foi agraciado sobejamente com a vida do casal Maddox, pois participaram, ativamente, na organização da Convenção Batista Brasileira, no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil e no Colégio Batista Shepard, no Rio de Janeiro Em 1917 se transferiram para Belo Horizonte em função de tratamento de saúde da filha do casal, Catarina. Em 1918 já anunciava ao mundo batista a criação da Convenção Batista Mineira, do Colégio Batista Americano (hoje Colégio Batista Mineiro) e a compra da grande propriedade da PIB Belo Horizonte.

Mary Wilcox e Bertha Stenger e a
PIB Belo Horizonte
Convém ressaltar, para fins históricos, que antes da chegada do casal Maddox em Belo Horizonte, duas missionárias da Junta de Richmond, Mary Wilcox e Bertha Stenger que ficaram em Belo Horizonte de 1897 a 1900, fundaram uma escola batista, entretanto foram transferidas para São Paulo, onde fundaram a Primeira Igreja Batista de São Paulo. Existem muitas controvérsias sobre a atuação das duas missionárias que participaram, efetivamente, da organização da PIB Belo Horizonte, organizada pelos missionários pioneiros, Bagby e Taylor e pastoreada por José Alves; um pastor que viera de outra denominação e que conflitou com as duas missionáras norte-americanas, culminando com a saída dele da igreja e da denominação e das missionárias de Belo Horizonte, mas nada impediu o florescer da linda PIB Belo Horizonte. Essas missionárias retornaram aos EUA e foram exoneradas da Junta de Richmond. É importante ressaltar que nos anais da Primeira Igreja Batista de Belo Horizonte consta o Missionário norte-americano Daniel Crosland como o seu “pastor-fundador”, o que também é correto, pois a igreja foi organizada em fevereiro de 1897, mas foi fechada devido aos conflitos e só oficialmente reorganizada em 1912 já na liderança de Daniel Crosland.

O CISMA – ROSALEE MILLS APPLEBY E O MOVIMENTO DE RENOVAÇÃO ESPIRITUAL
O movimento pentecostal sempre permeiou o imaginário de alguns pastores e líderes batistas, principalmente, devido ao rápido crescimento da Assembleia de Deus, mas em Minas Gerais ocorreu, mesmo que indiretamente, a iniciação no seio batista, pela Missionária da Junta de Richmond Rosalee Mills Appleby, através do programa radiofônico “Renovação Espiritual”, em Belo Horizonte.
O programa ganhou grande repercussão e mesmo com a partida para os EUA da missionária em 1958, por motivos de saúde, a semente cresceu, indubitavelmente, pois no seio da Convenção Batista Brasileira começou uma grande movimentação liderada pelo Pr. José Rego do Nascimento e depois encampada pelo Pr. Enéas Tognini e que culminou com a expulsão da Igreja Batista da Lagoinha do seio da Convenção Batista Brasileira; mas o movimento ganhou força com a saída de 28 igrejas da Convenção Batista Mineira, formando logo em seguida a Convenção Batista Nacional.
Hoje a Igreja Batista da Lagoinha se afastou da Convenção Batista Nacional e tem o seu próprio ministério, estimado em mais de 70 mil almas e dezenas de igrejas, apesar de todas as sequelas oriundas da divisão, existe um clima de amorosidade, inclusive recentemente a Igreja Batista da Lagoinha vendeu o seu colégio ao Colégio Batista Mineiro e envia muitos dos seus seminaristas para estudarem na Faculdade Batista de Minas Gerais.
A Convenção Batista Nacional também faz parte da Aliança Batista Mundial e propostas de reunificação são sempre colocadas, sendo a mais recente lançada pelo livro “O futuro dos batistas” do Pr. Jonas de Oliveira, professor da Faculdade Teológica Batista de São Paulo.

ALEGRIAS
Nos últimos 50 anos a Convenção Batista Mineira, graças a Deus e uma unidade inabalável das igrejas, conseguiu superar a grande pedra que fora colocada em seu caminho e caminha para o seu centenário com uma das mais promissoras convenções no seio da Convenção Batista Brasileira, com um trabalho de muito afinco.
A atuação, serena e profícua, do Pr. José Alves da Silva Bittencourt, como Secretário-Executivo durante longos anos, trouxe tranquilidade para que, dia a dia, novos projetos fossem colocados em prática. O PLANIME em Minas Gerais, liderado por ele, foi uma alavancagem de primeira, e dezenas de igrejas foram organizadas. Hoje são mais de 1150 igrejas, muitas estruturadas no período da liderança do Pr. José Bittencourt.
Atualmente o Pr. José Bittencourt está jubilado, gozando da sua merecida aposentadoria.
Honra a quem honra.

O Pastor Aloízio Penido Berthô dirigiu a Convenção Batista Mineira durante 10 anos, no período de 1993 a 2002 realizando um grande trabalho em prol da causa no meio batista no Estado.
Dotado de grande carisma, Pr. Aloízio, mesmo enfrentando recursos mais escassos, elaborou um plano de ação que foi exemplo em Minas Gerais e copiado por todo o Brasil.
A Convenção Batista Mineira experimentou um grande avanço, com mais de 100 igrejas organizadas no período que liderou. Avançar ou avançar, e Minas Gerais voltou a sorrir, com o sorriso dos vencedores.
Gratidão ao Pr. Aloízio Penido Berthô que dedicou um período significativo da sua vida, percorrendo toda a Minas Gerais, buscando capacitar os pastores e líderes para alcançarem os objetivos comuns em prol do Reino de Deus.
Nos dias atuais é o pastor senior da Primeira Igreja Batista em Juiz de Fora.
Honra a quem honra.

Logo em seguida assumiu a gestão o Pr. José Renê de Toledo e que também, por 10 anos, serviu aos batistas mineiros com tenacidade, simplicidade e altruísmo. De agosto de 2002 a abril de 2012, exerceu com galhardia os mandatos divinos, fazendo uma administração austera, em época de poucos recursos, ele que deixara a direção do Colégio Batista Mineiro, onde servira por quatro anos. Seu período a frente da CBM teve a marca missionária, quando o número de missionários da Convenção se duplicou, além da expressiva parceria com a Junta de Missões Nacionais o que culminou com dezenas de novos missionários comissionados para o Estado. Hoje responde pela liderança dos pastores batistas em Minas Gerais, sendo o Executivo da OPBB, e é o representante da Junta de Missões Mundias em Minas Gerais. Gratidão Pr. Renê.
Honra a quem honra.

Pr. Márcio Alexandre de Moraes Santos assumiu a diretoria executiva da Convenção Batista Mineira em 2 de junho de 2014 com o lema: “Para que Minas Creia” e a disposição de enfrentar o desafio de chegar em mais 339 cidades mineiras sem a presença batista. Como diriam os jovens: “Já chegou, chegando”, pois a sua atuação a frente da CBM é vibrante e salutar e têm obtido excelentes resultados. abençoada e abençoadora. Seu ministério está chamando muita atenção do Brasil batista e boas parcerias estão sendo organizadas, entre elas com a Convenção Batista Fluminense. Começou seu ministério incentivando os líderes batistas mineiros na busca de unidade e de sonhos. “Vamos sonhar e realizar juntos.” dizia. Está dando ênfase à capacitação, através da área educacional, de ação social e de evangelismo e missões, com o foco, sempre, em atingir as 339 cidades ainda não alcançadas pelos batistas. Em cima da educação e da capacitação desenvolve projetos pioneiros como “Academia pastoral”, “Caravana CBM”, Mentoreamento aos pastores. A CBM também está produzindo as revistas da EBD, mais de 40 mil exemplares por trimestre e já estudam um projeto de literatura infantil. Avançou mais ainda: Lançou o Kit homilético, um grande facilitador de estudos e sermões. “Coaching ministerial” para líderes das igrejas (os pastores não são convidados). O projeto “Casa Alma Livre” e que chama atenção de todos os evangélicos, principalmente dos que trabalham com a recuperação de egressos das penintenciárias. E já estão colocando em prática o sonho de um ônibus – “Saúde na estrada” – que irá percorrer as cidades mineiras com médico, dentista, prestando diversos serviços sociais ao povo carente mineiro. Palavras do Pr. Márcio que ecoam pelo Brasil e merecem resposta: “Nós somos um Estado a ser alcançado… que cada pastor, que cada membro de uma igreja batista, possa olhar paa Minas Gerais como um campo missionário”. Márcio Santos é bênção!
Honra a quem honra.