Entrevista com o deputado federal Arolde de Oliveira

O parlamentar reafirma seu compromisso em nome da ética na política, da luta a favor da vida e da família tradicional. Engenheiro e economista, Arolde de Oliveira conta sua experiência como homem público e destaca os principais pontos para que a sociedade brasileira possa vislumbrar um horizonte com equilíbrio e sabedoria, sem prejuízo para o compromisso e o engajamento permanente e determinado.

Quais são os princípios e valores que norteiam a vida do cidadão e político Arolde de Oliveira?
Os meus valores são os da sociedade brasileira, valores do ocidente, valores histórico culturais, conservadores, judaico cristãos que estão contidos no velho e no novo testamento da Bíblia. Estes são os valores que eu procuro defender e me posiciono assim, nesta linha.

Qual é a sua análise do cenário político atual de nosso país?
Na América Latina vários países que tinham um governo de esquerda agora passaram para mandatários mais à direita conservadora. No Brasil essa deverá ser também a grande mudança. A esquerda já perdeu muito espaço pela corrupção e vai perder ainda mais politicamente. O que significa isso? Significa um governo mais focado em procedimentos mais cívicos, patriota. Os governos conservadores têm um grande conteúdo que se preocupa com as coisas de amor à pátria, Brasil e brasilidade. Isso é muito importante, pois a esquerda é apátrida. O foco da esquerda é a formação de colméias. São sociedades onde você tem a grande massa de população operária trabalhando por eles, comendo e dormindo, não indo além disso.

Só que há um grupo privilegiado e esse sim desfruta de favores. Ele come de graça, está sempre se locupletando, ele tem as abelhas todas para servi-los, mas todo o trabalho braçal é da massa operária. Essa é a sociedade socialista, comunista e utópica, que eles querem implantar. O ser humano não é adaptável a este tipo de governo. Ele tem que ter os seus graus de liberdade e o conservadorismo vai trazer a possibilidade do homem mais integral, independente e que vislumbre o desenvolvimento individual e coletivo.

O que um deputado federal pode fazer para ajudar o país a sair desta crise econômica?
Essa é a grande pergunta dos dias de hoje. Temos que focar em alguns pontos como Poder Legislativo e reformas que realmente são importantes e significativas. Primeiro: mudanças para eliminar privilégios de classes e categorias. Muitos privilégios ficam acobertados e não chegam ao conhecimento da nação. Segundo: há de ser feita uma reforma tributária para equilibrar melhor esse jogo do cidadão pagar altos tributos e não ver o serviço da contrapartida. Nosso sistema tributário é muito injusto. Ainda dentro desse tema, há de se fazer a implantação de um orçamento impositivo, cuja execução seja obrigatória, e que esteja previsto a criminalização por responsabilidade dos agentes públicos para quem não a executar. E, por fim, acho que na área econômica especificamente nós temos que providenciar a independência real do Banco Central. Terceiro: outra reforma muito importante é o reequilíbrio dos poderes da República. Por exemplo, entre o Executivo e o Legislativo nós temos a Medida Provisória que é um ofensor e transforma o Presidente da República praticamente no único responsável pela iniciativa das leis, através de medida provisória de forma mandatória. Isso faz com que o Congresso viva sempre a reboque do Poder Executivo. É uma promiscuidade indevida entre os dois poderes. Outro caso: na medida em que há espaços vazios de legislação, o Judiciário começa a ter que interpretar as leis. Isso está acontecendo e estabelece um desequilíbrio. Essa “legislatura do Judiciário” normalmente é tendenciosa, por exemplo, os Ministros do Supremo, que são os guardiões da Constituição, são indicados por políticos e isso é muito ruim para o equilíbrio federativo, pois acaba criando correntes e tendências dentro do Supremo. Temos que mudar o sistema de nomeação dos Ministros do Supremo. Não podemos admitir advogados de partidos políticos sejam nomeados Ministros. Não é possível isso! Ele é um ser humano e pode ser tendencioso no seu julgamento.

O deputado concorda com a diminuição do atual número de integrantes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal?
Sim e vou explicar tecnicamente porquê. No passado os meios de comunicação eram muito limitados, logo, havia a tendência de aumentar o número de representantes do Estado e da nação. Hoje nós temos três senadores por Estado e os 513 deputados, oito no caso dos Estados menos populosos e 70 no caso de São Paulo, o mais populoso. Quando não havia internet era justificado termos parlamentos muito numerosos com representantes de todos os segmentos da sociedade. Hoje, com a facilidade da internet na comunicação, pode-se sim encolher numericamente esses cargos. Poderíamos, por exemplo, começar tendo dois senadores por Estado e diminuir em um terço o número de deputados federais, assim como os parlamentares em cada Estados e câmaras municipais. A população pode utilizar a tecnologia para se posicionar, fazendo participação direta nas atividades dos parlamentos.

É necessário que algum cargo público do Brasil tenha o benefício do foro privilegiado?
Não. Temos um nível de informações e fatos que justificam o fim do foro privilegiado para todas as autoridades. Talvez possamos deixar o Presidente da República, o Presidente do Congresso Nacional e a Presidência do Supremo ter o foro durante o período do mandato, pois são as funções importantes para os três poderes da República. Agora, fora disso não tem a menor necessidade. Todos precisam ser iguais perante a lei.

Na sua opinião, qual foi o principal assunto político deste mandato que termina em 2018?
O assunto que não foi político, mas afetou o mundo político: a força tarefa da operação Lava Jato. Foram os processos investigativos que andaram e desmontaram uma verdadeira quadrilha articulada sistemicamente para assaltar os cofres públicos do país, em todas a instâncias e em todos os níveis. Ela começou um pouco antes desse mandato, mas o seu grande impacto foi nesse mandato atual e conduziu a nação a um nível tal de indignação pelo conhecimento das barbaridades que foram cometidas, que abriu um espaço de desejo por uma profunda renovação política no país. A Lava Jato ainda não mudou o Brasil porque tudo que está acontecendo ainda tem que ser consolidado, mas já trouxe mudanças sensíveis sim.

Quais são suas principais bandeiras de atuação política? O que considera como os mais importantes eixos de atuação parlamentar para um político cristão na atualidade?
As minhas principais bandeiras são a defesa da vida e da família em todos os seus formatos. Hoje o instrumento que mais desconstrói a vida e família é a ideologia de gênero, propagada pela esquerda comunista e socialista, para desconstruir a família dentro deste novo procedimento de assumir o poder que estão usando: a revolução cultural. Outro aspecto que nós temos que ser contra é a doutrinação política nas escolas. Essa deve ser abolida completamente das escolas e das universidades.

Vamos falar de vida ministerial. O senhor é Batista. Como foi construída sua vida ministerial e como o senhor vê os desafios da igreja de Cristo para os próximos anos?
Eu me converti já adulto, depois de ter uma carreira desenvolvida na área técnica. Sou engenheiro, economista, tive uma formação muito sólida de muitos anos de academia, universidade, enfim, isso me deu uma compreensão das coisas. Sempre fui bem-sucedido no que eu fazia, até que já aos 40 anos eu conheci o evangelho e me converti. Eu estava cursando a Escola Superior de Guerra e conheci dois pastores batistas: o Irland Pereira de Azevedo e o pastor Nilson do Amaral Fanini, que já faleceu. Acabei me convertendo na Primeira Igreja Batista de Niterói, que foi minha congregação por quase toda vida, e nos últimos 10 anos eu me transferi à Primeira Igreja Batista do Recreio. Tenho um compromisso, pois me converti pelo conhecimento e pelo entendimento, então tudo o que eu faço na vida, eu e minha família, é um compromisso com o Reino de Deus em primeiro lugar. Nós temos empresa, negócios, mas nosso compromisso em primeiro lugar é com o Reino de Deus. Isso nós fizemos como princípio de vida e tem sido assim até hoje. De certo modo reforça as minhas convicções de que este é o caminho de que todos devem seguir, o caminho da verdade que liberta, o caminho da fé, da esperança e do amor. Esse é o caminho que a gente busca que nos reforça, e nos faz vencer a vida. Costumo dizer que a vida tem montanhas e vales: você sobe a montanha e chega no pico, mas saiba que lá na frente pode ter o vale e você vai descer para o vale, mas tenha certeza, há esperança de que lá na frente existe uma montanha, e assim é a vida de todos nós. O importante é que a gente não perca a fé, que a gente faça essa trajetória com o coração em paz, pois só assim conseguimos suportar o que ocorre na vida e que evidentemente pode ser interpretado como sofrimento, frustração e desencontros da vida. A fé em Deus me trouxe até aqui.