Jussy Costa: O QUE DEUS DIZ SOBRE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA? COMO UM CRISTÃO EVANGÉLICO DEVE AGIR?

Este meu artigo tem a finalidade de expor um assunto dolorido, vergonhoso, contudo muito comum dentro do lar de muitas famílias evangélicas.

Não estou aqui como algoz e juiz contra uma pessoa que sofre desta disfunção violenta, mas como pastor não posso e acredito que outros pastores e igrejas não devam varrer este fato tão grave e criminoso para debaixo do tapete em nome de um pseudo testemunho cristão. Se realmente somos cristãos e queremos viver a verdade, nós devemos discutir, coibir, denunciar e tratar com amor e imparcialidade vítima e autor.

Em minha pesquisa sobre o assunto e dados estatísticos, cheguei a uma pesquisa realizada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie SP em 2016, já nesta época a questão de violência doméstica era crítica e grave, e o número de casos em lares evangélicos chegava próximo a metade dos denunciados, e levados a medidas cautelares e a divórcio entre casais.

A matéria assinada pelo jornalista Tiago Chagas do site www.noticiasevangelicas.com e divulgada pela Rede Super de setembro de 2016, traz a manchete e a informação que: “40% das mulheres que sofrem violência doméstica registradas e denunciadas as autoridades competentes são evangélicas, diz pesquisa recente.

A violência doméstica é uma triste realidade no Brasil e a pesquisa descobriu o número alarmante de 40% das mulheres que se declaram vítimas de agressões físicas e verbais de seus maridos são evangélicas.
A pesquisa da Universidade Presbiteriana Mackenzie a partir de relatos colhidos por organizações não governamentais (ONGs) que trabalham no apoio às vítimas desse tipo de violência, e foi utilizado em trabalhos de TCC de alunos de direito e psicologia da instituição.

Segundo a revista Exame da editora abril, de abril de 2019, 16 milhões de mulheres acima dos 16 anos foram vítimas de violência em 2018, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança, se levarmos como base a pesquisa do Mackenzie, cerca de 6,4 milhões destas mulheres são de lares evangélicos. O resultados drásticos da violência doméstica é o feminicídio.

De acordo com os jornalistas, Clara Velasco, Gabriela Caesar e Thiago Reis, do portal G1, o número de feminicídio em 2017 foi de 4.473 homicídios e em 2018 houve um aumento de 6,5% em relação ao ano anterior.

A surpresa não é maior do que a preocupação que existe sobre o contexto das agressões: muitas das vítimas dentro do contexto evangélico dizem sentirem-se coagidas por seus líderes religiosos a não denunciarem seus maridos.
“A violência do agressor é combatida pelo ‘poder’ da oração. As ‘fraquezas’ de seus maridos são entendidas como ‘investidas do demônio’, então a denúncia de seus companheiros agressores as leva a sentir culpa por, no seu modo de entender, estarem traindo seu pastor, sua igreja e o próprio Deus”, denuncia o documento.

Como assim???

Violência doméstica e feminicídio são crimes gravíssimos de acordo com as leis brasileiras, a vitima tem que ser protegida e sustentada por toda comunidade cristã em sua volta, o agente da violência deve ser amado e tratado, mas amar não significa fingir que nada está acontecendo, ou passar a mão na cabeça do agressor com medo que o caso se torne público, no momento que há a agressão o caso tornou-se público, sim é deve ser denunciado, ou vamos nos esquecer que a bíblia diz que “……tudo o que o homem semear, isso ceifará… Galatas 6:7” e mais Romanos 13 trata claramente que o ser cristão, não significa estar acima dos rigores das leis humanas.

Minhas posições e sugestões faço aqui com temor e tremor a luz da Palavra de Deus.
Deus odeia a violência doméstica e fica muito zangado com os agressores.A atitude correta para um cristão é lutar contra a violência doméstica e dar apoio às vítimas e ajudar a ter coragem de denunciar sim. A violência doméstica transforma a bênção da família em maldição.

Deus criou a família para ser o lugar onde todos se sentem seguros e amados. A violência doméstica destrói essa bênção de Deus. Onde há violência doméstica, a aliança da família é quebrada.
A violência doméstica acontece quando alguém na família abusa de seu poder e maltrata física e/ou psicologicamente outro membro da família mais fraco ou vulnerável. Na maioria dos casos o agressor é alguém com autoridade sobre a vítima. Essa é uma traição terrível, que Deus detesta. Os mais fortes e poderosos deveriam proteger os mais vulneráveis, não abusar deles! – Provérbios 31:8-9
Como ajudar uma vítima de violência doméstica?
Toda vítima de violência doméstica precisa de amor. Esse amor precisa ser mostrado com ações, não apenas com palavras (1 João 3:18). A vítima precisa saber que tem apoio e que não vai ser abandonada. Em termos práticos:

Investigue Com Cuidado

Há sinais reais de violência doméstica? Não ignore o pedido de ajuda mas avalie a situação e peça sabedoria a Deus (Tiago 1:5). Tente conhecer todos os fatos(mas tome cuidado com a forma que você faz as perguntas!). Se você não sabe o que fazer, procure a ajuda de alguém mais sábio, com a permissão da vítima.

Não Acuse A Vítima!

Em casos de violência doméstica, é muito comum o agressor manipular a vítima, lançando a culpa toda sobre ela. Se você acusar a vítima, você vai ajudar o agressor, não a vítima!
A vítima não tem culpa. Sim, a vítima pode estar a fazer coisas que irritam o agressor, mas isso não justifica a violência. Muita gente se irrita mas não bate na família! Ninguém tem o direito de ser violento com outra pessoa. A culpa é do agressor, que não está lidando bem com suas emoções (Provérbios 29:11). A vítima precisa saber isso.

Promova A Segurança

A vítima precisa sair dessa situação, mesmo que seja temporariamente. Quem vive muito tempo em um ambiente de violência doméstica fica com uma visão distorcida da realidade. Para sarar, a vítima precisa se afastar do agressor e viver em segurança. Não faça a vítima sentir que tem de ficar com o agressor! A Bíblia não dá nenhuma garantia que o agressor vai mudar se a vítima ficar (1 Coríntios 7:16).
Se a vítima decidir sair de casa, não conte ao agressor onde ela está! Agressores podem ser muito manipuladores. Assim como fingiram que estava tudo bem em casa, podem fingir arrependimento para continuar com o abuso ou para conseguir sua vingança (Provérbios 26:23-26).

Pr. Jussy Eduardo Costa
Pastor membro da IB Shekinah em Carapicuíba – SP.
Mestre em Ciências da Religião.
Licenciado em Pedagogia e História.
Bel. em Administração de Empresa