O FUTURO DOS BATISTAS: DIÁLOGO, UNIDADE, LIDERANÇA E CONTEXTUALIZAÇÃO – JONAS DE OLIVEIRA

RESUMO

Surge no cenário da história dos batistas do Brasil um período desfavorável que foi a chamada divisão histórica, em janeiro de 1965, por ocasião da Assembleia da Convenção Batista Brasileira (CBB) na Primeira Igreja Batista em Niterói-RJ. Entre 1965 e 1966, cinquenta e duas Igrejas foram expulsas do rol da CBB devido à abertura à “renovação espiritual”, englobando as discussões referentes à doutrina do Espírito Santo, dons de línguas, profecias, curas e milagres.

Com o desligamento das referidas Igrejas, consequentemente, surgiu a Convenção Batista Nacional (CBN) que apesar de ser uma fragmentação histórica, não ocorreu que a denominação batista sofresse sequelas desagradáveis e frustradoras. Pelo contrário pela exposição do Pastor Enéas Tognini (in memoriam) a CBN cresceu favoravelmente numa proporção que extrapolou à expectativa, incluindo o desempenho da Igreja Batista da Lagoinha (IBL).

Numa reflexão histórica destes quarenta anos, pode-se afirmar que:
1. A mão de Deus e a sua graça estiveram presentes em ambas as denominações;
2. Testifica-se que neste século XXI, afloraram alguns aspectos positivos, nelas, imprimindo uma nova realidade dentro do contexto bíblico, servindo de estímulo à abertura de um diálogo crescente para muitas igrejas evangélicas no contexto brasileiro.

O eixo da questão gira em torno dessa reflexão histórica, teológico-doutrinária denominacional, bíblico-eclesiológica, onde algumas igrejas foram bem-sucedidas, e, procura-se dirimir problemas de essência e forma, calcados nas pesquisas de caráter técnico-eclesiológico e contextual, na demonstração ainda das origens denominacionais.

O equilíbrio para a saída do problema, visando um crescimento de ambos os lados, demandaria igrejas qualificadas. Igrejas que prevalecem dentro de novos paradigmas, mas sempre determinadas através de verdadeiros princípios bíblicos e teológicos, dentro da ótica de Cristo e dos apóstolos.

Em meio a debates, simpósios e congressos de liderança pastoral denominacional e outras denominações cristãs evangélicas, surgem os desafios brasileiros que, certamente, não estão ocorrendo num vácuo. Estes são debates que, inclusive, ocorrem hoje em todo mundo cristão e refletem toda natureza de questionamentos através de pesquisas locais, nacionais e internacionais.

Mais especificamente, dentro da área eclesiológica, destaca-se a contribuição de pesquisa de mais de mil igrejas no mundo inteiro feita por Christian Schwarz, em seu livro “Desenvolvimento Natural da Igreja” (Curitiba, Editora Evangélica Esperança, 1996). Trata de princípios mais saudáveis e relevantes de trabalho contextualizado, contemporâneo, tornando-se um referencial nacional na contribuição do diálogo fraternal entre ambas as denominações. Conclui-se com a necessidade de conhecer mais, ampliar a visão, não só no gueto de cada área da esfera de atuação da chamada igreja local, percebendo- se que muito se pode fazer ainda, ouvindo a voz do Espírito Santo, e levando a Igreja em grandes conquistas e realizações como foi no passado.

Há um destaque neste livro, citamos vários exemplos de nosso meio considerado como batista tradicional, com igrejas de nova visão, contextualizadas e inseridas dentro de uma realidade que acompanha os desafios da idade pós-moderna, elas são qualificadas na essência e na forma, que tomam dimensões impressionantes e surpreendentes, diferente do passado para ambas as denominações, por isso se aproximam mais uma das outras e se compreendem melhor em matéria de suas necessidades.

Destacaram-se, de maneira impactante dentro da CBB, as seguintes igrejas devido ao crescimento: Igreja da Cidade (ex Primeira Igreja Batista (PIB) de São José dos Campos – SP); PIB de Curitiba – PR, Igreja Batista Monte Horebe – Campo Grande – Rio de Janeiro – RJ; PIB de Campo Grande – MS; Igreja Batista Central Atitude (ex Igreja Batista Central da Barra da Tijuca) – Rio de Janeiro – RJ; PIB de Marília – SP; Segunda Igreja Batista de Campos dos Goytacazes – RJ; PIB da Pavuna – Rio de Janeiro – RJ; PIB de João Pessoa – PB; Igreja Batista em Água Branca – São Paulo – SP; PIB do Recreio dos Bandeirantes – Rio de Janeiro – RJ. E dentro da CBN: A Igreja Batista do Povo – São Paulo – SP e a Igreja Batista da Lagoinha – Belo Horizonte – MG, esta igreja deve ser levada em conta ser de uma nova eclesiologia batista, sendo centralizada, servindo segundo as pesquisas de modelo paradigmático para outras igrejas e denominações.

Esta busca para aproximação e diálogo fraternal, foi constatada desde março de 2000, na PIB de Niterói-RJ, quando do Congresso de Adoração se reuniram o pastor local – Nilson do Amaral Fanini – (in memoriam), Fausto de Aguiar Vasconcelos da PIB do Rio de Janeiro- RJ, (na época), e que por mais de dez anos esteve na liderança da Divisão de Evangelismo e Missões da Aliança Batista Mundial, em Washington, EUA. e o surpreendente, pastor Enéas Tognini (in memoriam), da Igreja Batista do Povo, então o carro chefe da CBN.

Ali se realizou um Congresso de Adoração, promovido pela Aliança Batista Mundial, UBLA (União Batista Latino Americana) e CBB, muito bem-sucedido, caracterizado pela reunião e união de ambas as denominações, isto depois da nossa denominação, CBB, ter recebido uma carta de perdão emitida pelo citado líder da CBN, Enéas Tognini, e aceita tacitamente, pela CBB.

Isto veio contribuir, naquele período e data realizada pelos homens de Deus, de denominações outrora fragmentadas, para hoje percebermos nitidamente, a continuidade do diálogo fraternal, a reaproximação e até mesmo tentativa de reunificação entre elas. Tudo isso para que não subsistam as rachaduras e brigas internas. Pelo contrário, o diálogo fraternal estava presente entre os grandes líderes das duas Convenções, pastor Enéas Tognini e Fausto Vasconcelos, que apareceram de mãos dadas nas fotos mencionadas no Congresso de Adoração. Na Assembleia da CBB, em Gramado- RS, decidiu-se a troca de cartas de transferências entre a CBB e a CBN.

SOLI DEO GLÓRIA!