SUICÍDIO – Por que homens como Vincent van Gogh – pastor, pintor e gênio – se suicidam?

SUICÍDIO
Por que homens como Vincent van Gogh – pastor, pintor e gênio – se suicidam?

O suicídio é inexplicável, mas a prevenção é o caminho e falar dele, essencial. Em pauta o suicídio neste editorial e nas próximas quatro páginas.

Vincent va Gogh foi missionário. Viveu pouco, nasceu em 1853 e morreu em 1890, viveu pobre, e sua obra só foi reconhecida depois de morto. Deixou o legado de mais de duas mil obras, sendo mais de 860 pinturas a óleo. Reconhecido como uma das figuras mais importantes da arte, um de seus quadros foi vendido em 1990 por 148 milhões de dólares, a sexta pintura mais cara do mundo, por coincidência 100 anos depois da morte do pintor, inclusive tal obra – Retrato de Dr. Gachet – foi pintada no ano de sua morte.

Alguns poderão “explicar” que van Gogh procurou na religião um refúgio que não encontrou e que sempre teve sérios problemas psicológicos. Mas a lista de pastores que se suicidaram é significativa incluindo pastores famosos que dedicaram uma vida inteira ao Ministério. Muito oportuno partilhar a introdução do artigo de Hermes C. Fernandes de dezembro de 2013: “Nos últimos trinta dias, três pastores americanos famosos cometeram suicídio. O primeiro deles foi Teddy Parker Jr., de 42 anos, pastor da Igreja Batista Bibb Mount Zion, na Geórgia, que se matou com um tiro na cabeça, após ter ministrado no culto matinal de sua igreja. Na última semana, o pastor Ed Montgomery, líder da Assembleia Internacional do Evangelho Pleno, em Illinois, ainda em luto pela morte da esposa, atirou em si mesmo na frente de sua mãe e filho. No dia 10 de dezembro, foi a vez do Pr. Isaac Hunter, fundador da mega igreja Summit em Orlando, Flórida. Este caso em particular chamou a atenção da mídia secular, pois o pai de Isaac, o também pastor Joel Hunter, é conselheiro espiritual de Barack Obama. Joel é líder da Northland, uma das igrejas que mais crescem nos EUA, e sofre severas críticas por parte de líderes mais conservadores devido à sua aproximação do presidente. Conheci-o pessoalmente durante minha estada na América. Em nosso longo papo em seu gabinete, Joel demonstrou ser um homem visionário e humilde, totalmente comprometido com a agenda do reino de Deus.”

Muito difícil uma resposta plausível, para quem prega contra o suicídio de manhã e se suicida à tarde. Questões mais teológicas a parte, mesmo porquê sempre teremos opiniões divergentes sobre o tema, indo de um extremo ao outro, sobre a fé e a perda da salvação e infelizmente alguns se julgam um “pouquinho maiores que deus” para determinar algo que só compete ao Único Deus.

Felizmente a presente abordagem não foi despertada por mais uma morte e sim pelo trabalho mais edificante, o da prevenção. Tenho acompanhado os excelentes trabalhos de apoio ministerial das Convenções Batistas Mineira e Fluminense, mas ainda é pouco, muito pouco, mas são bons exemplos no nosso cenário batista. O que me chamou atenção foi o excelente trabalho do capelão Edilson Reis, de Campo Grande-MS com a proposta de um aprendizado mais eficiente focada nesta temática, que se tornou tabu, principalmente entre os religiosos.

Vamos pensar juntos. Como esta revista é interativa se torna mais fácil uma análise com as informações, via os links que são disponibilizados a seguir, e que fornecem uma melhor compreensão do tema.

Seria muita pretensão apontar e diagnosticar os porquês dos suicídios dos pastores, entretanto, podemos e devemos analisar tais condutas fundamentadas nas informações técnicas disponibilizadas.

Uma entrevista compartilhada por Edilson Reis me chamou muito atenção, leitura indispensável e encontra-se no link abaixo e foi efetuada com José Manoel Bertolote – psiquiatra e professor voluntário da universidade estadual Paulista (Unesp), consultor da Organização Mundial da Saúde (OMS) e criador do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio – publicada na Veja por Fernanda Bassette: https://complemento.veja.abril.com.br/entrevista/jose-manoel-bertolote.html

Compartilho abaixo o segundo texto para que tenhamos o discernimento do tamanho do problema: “O Brasil registra cerca de 11 000 casos por ano de suicídio, ou 32 mortes por dia. Esse número pode estar subestimado? É muito subestimado. Mas mesmo se fosse preciso, tome-se o total de 11 000 casos anuais, comparáveis às mortes por aids. Agora veja a dimensão dos recursos destinados pelo governo na prevenção de aids. Na prevenção do suicídio, que mata praticamente o equivalente em número de pessoas, o mesmo não ocorre.” “Sim, o melhor é falar sobre suicídio – O número de mortes aumentou 34% no Brasil. Ainda assim, o assunto segue silenciado, escondido e pouco discutido. A solução é abrir a boca”. A excelente reportagem de julho de 2017 da revista Super Interessante e assinada por Eduardo Szlarz, Karin Hueck e Pâmela Carbonari é também um material, disponibilizado, e que deve ser fonte de consultas: https://super.abril.com.br/sociedade/sim-o-melhor-e-falar-sobre-suicidio/

Para complementar as informações mais gerais sobre o assunto, é também muito proveitosa a leitura de “Contra suicídios, a importância do apoio social e do cuidado com a saúde da mente – Casos recentes de grande repercussão de suicídio evidenciam a importância de se colocar o tema em pauta” publicado pela Folha em junho de 2018: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2018/06/contra-suicidios-a-importancia-do-apoio-social-e-do-cuidado-com-a-saude-da-mente.shtml?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=compfb

No mérito do suícidio de pastores, necessário ressaltar que, pastor não é melhor e nem pior do que ninguém, devemos ser criteriosos para não desqualificar às religiões pelo fato das práticas de tais pessoas, o que não corrobora com a doutrina pregada e vivida pela grande maioria.

Pouco mais de um mês antes de uma nova tragédia, ocorrida em 14/12/2 017, no dia 29.01.2018, o site “Pleno News” publicou a seguinte matéria: “Suicídio de pastores: Epidemia silenciosa – Três casos na mesma semana alertam sobre depressão entre líderes de igrejas”, disponível em https://pleno.news/comportamento/suicidio-de-pastores-epidemia-silenciosa.html

Não é necessário um momento de reflexão e ação para minizar ao máximo, tal problema?

Ao analisar o problema mais especificamente, no seio dos batistas brasileiros que estão na CBB, alguns registros recentes chamaram atenção, um de conhecido líder de São Paulo e terapeuta de formação, outro na Bahia, um caso que se tornou dolorido por não receber o tratamento devido. Ao conversar sobre o caso com um amigo, Geremias Bento, que fora convidado para pastorear interinamente a Primeira Igreja Batista de Serrinha na Bahia onde o pastor Agnaldo Alonso Ferreira Freitas Junior, foi encontrado morto na noite de terça-feira, 9 de setembro de 2014, ele confidenciou: – Vital, não é um caso isolado na igreja. Logo depois um diácono também se suicidara.

Não se pode dizer o porquê do suicídio de Vicente van Gogh ou de qualquer outra pessoa, isto é com Deus. Há alguns anos eu estava numa Escola Bíblica Dominical na maior igreja presbiteriana de Taubaté. E surgiu a discussão sobre o suicídio. Fui indagado se Judas Iscariotes havia ido para o inferno. Respondi que não sabia, mas que a possibilidade de ter ido para o céu era maior do que ter ido para o inferno. E explico. Judas era apóstolo e andou com Jesus, estava impregnado de Jesus, mas em um momento titubeou e traiu o mestre… quem nunca titubeou? E arrependido se matou. Se ele se arrependeu era porque acreditava e se acreditava… céu, é lógico, é óbvio, mas as nossas obviedades não são as de Deus…

No começo da minha adolescência presenciei a dor da família com o suicídio de uma tia, chamada Elza. Ela colocou muitos litros de álcool numa banheira, entrou e colocou fogo.

Repetindo a primeira frase deste editorial para dar mais ênfase:
“O suicídio é inexplicável, mas a prevenção é o caminho e falar dele, essencial.