Vital Sousa: “AVC do Brasil”

“AVC do Brasil”

Uma das máximas do jornalismo é a busca do “Quem, o quê, onde, como, quando e por quê”. É uma busca perene, inclusive para a vida… mas hoje, o mote é da história: “Existe uma ciência da memória social, coletiva, cultural, da humanidade: a história”. E o legado de Ruy Barbosa transcende à história, pois se faz presente hoje… disse o famoso Águia de Haia: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”

Vivemos numa terra de muitos “fakes”. E desonestidade. Um dia desses um racker entrou em um sistema de computação de um hospital só para prejudicar e prejudicar pessoas que estão com dor, sofrendo, algumas com risco de morte. Um parente próximo gosta muito de repassar notícias, pois se diz “revoltado” e repassa excelentes informações, mas também muito “fake”, desisti de acompanhá-lo, pois com fake no meio, estou fora! No início da semana fui à farmácia comprar remédios, principalmente para diabetes, já convencido de forma absoluta pelas notícias da internet, que o programa do governo federal “Farmácia Popular” havia sido extinto, mas, antes resolvi perguntar à atendente. Estava equivocado, era apenas mais um “fake” (e eu acreditei), certamente com o objetivo político de favorecer uma corrente, afirmando que os outros estavam prejudicando à população. São tantos “fakes”, que campanha nenhuma vai moralizar o cenário, mas, pode restringir um pouco tal enxurrada, principalmente em época de eleições.

Ontem – 02.08.2018 – alguns amigos acadêmicos começaram a discutir sobre as novas decisões do governo sobre o “CAPES”, fiquei quietinho, poderia ser “fake”, mas, não era. Pensei no tão famigerado pragmatismo de uma nação governada por um “governo de cachorro morto”, sem perspectivas, sem desafios, que só está ali para cumprir tabela, como dizem os futebolistas. Fazer o que estão propondo é apenas mais uma decisão de quem não tem nenhuma visão de nação, pois o Brasil é uma pátria tão desprovida de pesquisas que acabar com o pouco que se tem é um desastre sem medidas. Nossos “hermanos”, aqui do lado, os argentinos, uma nação bem menor e com muito menos recursos, já possui cinco prêmios Nobel. Você já ouviu falar de um país chamado de “Santa Lúcia”? Eu nunca havia ouvido falar, entretanto, possuem dois prêmios Nobel. Apesar dos apesares, os políticos conseguiram transformar a nação mais rica da América do Sul – Venezuela – (plantada em cima do petróleo) em uma das mais pobres do mundo, mas, ela tem um Nobel… Brasil? Nenhum e ainda querem acabar com as pesquisas que podem favorecer milhões e milhões de pessoas, principalmente porque o Brasil tem avançado e muito com os seus principais centros, como a UNICAMP, USP e algumas universidades federais. Acorda governo Temer, pelo amor de Deus! Não precisamos de Nobel, mas, de pesquisas, necessitamos! É um produto básico, como arroz e feijão, só que cultural e sem o CAPES se torna muito mais difícil, ou quase impossível!

Fiquei sabendo pelo meu cardiologista que a doença de entupimento das veias e artérias, tanto no coração, como nas pernas e na garganta, é a mesma… só muda o nome, provocando o infarto (infartes para o carioca) no coração e derrame no cérebro, ou simplesmente AVC. Se comparado a um corpo o Brasil entupiu – como a Avenida Brasil (lá ainda têm arrastões) e a Marginal – tanto na região da garganta, como na região do coração e/ou das pernas. O Brasil “anda”? Não. A culpa é ainda a greve dos caminhoneiros, sempre alguém tem a culpa, menos os executores da política de governo. O Brasil “pulsa”? Não! Os três poderes vivem prognosticando e esperando o novo governo; o famoso quarto poder – o ministério público – ainda tenta, mas é pouco. E o quinto – a imprensa – vive a loucura de vender notícia, a todo custo, dando mais primazia ao “mundo-cão” do que aos reais problemas da nação. O Brasil infartou com AVC e tudo!

Diante deste quadro nada animador, eis que surgem as novas eleições. Até um preso quer se candidatar a Presidente do país (ele inventou o fake político, é só cena para se vitimizar e e ser o injustiçado das elites), haja desmoralização! As articulações para compor a “chapa” e os partidos nanicos garantirem os 1,5% do eleitorado para se manterem vivos no ano que vem, causam nojo. Me faz lembrar um jargão de um programa humorístico: “Geraldo”! Muitos dizem que vão anular o voto ou se absterem. A multa que é baratinha (estamos como baratinhas mesmo, desculpem o trocadilho infame), custa mais ir votar do que a abster, já que a gasolina para se ir votar é muito cara… Mas, mesmo diante da catástrofe, temos que escolher o menos ruim, porque se com a democracia já está péssimo, sem ela será o caos total, geral e irrestrito.

Vamos lá depurar ao máximo e fazer a nossa parte, e se possível, tirar o Brasil da UTI com o seu AVC, e, infartado. Triste, ainda, são os nossos AVCs pessoais, que entopem os sentimentos…

“Sem autotelia e pragmatismo não tem nação, só território” é o que eu posso concluir, mesmo a história nos trazendo à memória Ruy Barbosa.

Deus nos acuda! Dizem os católicos. Misericórdia. Clamam os evangélicos. Orar pela nossa pátria é crucial e aproveitar este tempo de “propaganda eleitoral gratuita” para conhecer os candidatos, suas propostas e escolher os menos ruins para nos governarem, também é crucial. Ainda que Ruy Barbosa complemente: “Toda a capacidade dos nossos estadistas se esvai na intriga, na astúcia, na cabala, na vingança, na inveja, na condescendência com o abuso, na salvação das aparências, no desleixo do futuro.” Que apliquemos do grande escritor este arremate: “Eu não troco a justiça pela soberba. Eu não deixo o direito pela força. Eu não esqueço a fraternidade pela tolerância. Eu não substituo a fé pela superstição, a realidade pelo ídolo.”

E que Deus nos abençoe.