Vital Sousa: Brasil, eis aí o seu sócio…

“Dai a César o que é de César, ao Brasil o que é dos brasileiros…”

Ontem parei em um posto e pedi para colocar R$100,00 de gasolina. Ao receber a nota vi que tinha um lembrete nela, dizendo que dos R$100,00, aproximadamente R$39,86 era de tributos que estavam sendo pagos. Recebi a inspiração para este editorial. É por isto que os brasileiros da fronteira vão abastecer nos países vizinhos, vale a pena… Se a Venezuela não fosse tão complicada, lá a gasolina é tão barata, que o governo paga para gente abastecer. Maduro é maduro de bonzinho…

Pensei logo na música do Cazuza que no final da década de 80, no século passado, nos encantava com a sua música “Brasil”. Aquele refrão ainda ecoa na minha cabeça: “Brasil! Mostra tua cara Quero ver quem paga Pra gente ficar assim Brasil! Qual é o teu negócio? O nome do teu sócio? Confia em mim”. Se naquela época já era assim, hoje: incrível, inacreditável! Época boa aquela que em Acari (Rio de Janeiro-RJ) o Caio Fábio fazia sucesso com a sua “Fábrica da Esperança”, segundo o Fernando Henrique o melhor projeto social do país. O projeto acabou e Acari virou um “favelaço”, infelizmente.

Mas… chega de nostalgia.

As palavras de Jesus à sua mãe, na cruz, sempre nos fez refletir: “Mulher, eis aí o seu filho”. Se ele fosse falar para mim, agora, sobre o nome do sócio do Brasil, diria que sou eu, ou você… “Brasil, eis aí o seu sócio”.
É inconcebível uma nação com tamanha carga tributária que não transfira aos seus cidadãos bons serviços sociais.
É cruel a carga tributária sobre os mais pobres, mesmo não tendo renda alguma se paga imposto e se o imposto dos alimentos são iguais para todos, os que ganham menos são mais sacrificados. Em todos os sentidos.
O impostometro – https://impostometro.com.br/ – deste ano já está próximo de 1,5 trilhão de reais. Um absurdo!

Jesus deixou o ensino que devemos sim pagar os tributos com a sua famosa frase “Dai a César o que é de César”, mostrando a moeda romana. Mas fica difícil saber qual é o percentual, acredita-se que neste caso era o de uma moeda de ouro anualmente.

Na escravidão romana os impostos eram mais baratos?
Muito interessante este trecho do livro sobre o sistema tributário romano: “Na organização imperial romana do séc. I D. C. Foi adotada a estrutura de taxação helênica no Leste do Mediterrâneo. Herodes, o Grande, reivindicou de 25-33% dos grãos da palestina e 50% do fruto das árvores. A taxação direta também incluía taxas per capta em dinheiro. Em adição, Herodes impõe taxas indiretas no trânsito de comércio e no mercado de troca. O Templo reivindicava taxas em espécie e em dinheiro. Josefo menciona o fato de que após a morte de Herodes, o Grande, uma delegação de judeus é enviada a Roma para se queixar sobre as altas taxas com Augusto.” https://elvisrodcarvalho.jusbrasil.com.br/artigos/290860647/o-sistema-tributario-romano-e-a-sua-aplicacao-no-ordenamento-juridico-financeiro-no-brasil

Não é para rir, mas os dados acima são da Idade Antiga, antes da Idade Medieval… Evoluímos?

Uma pequena análise dos impostos no Brasil – http://www.fiepr.org.br/sombradoimposto/veja-o-quanto-voce-paga-de-imposto-1-14466-115735.shtml – veremos que existem impostos com taxações tão berrantes que podemos fazer umas boas piadas com tal processo:
1 – Absorvente higiênico – 34% = Mulheres não podem menstruar;
2 – Achocalatado – 38%, mas o café 20% = Chocolate engorda;
3 – Açúcar 32% = A vida é amarga;
4 – Agenda escolar – 43% = estudantes não precisam disso;
5 – Água com açúcar – 53% = Água só da bica;
6 – Arma de fogo – 72% = É por isto que os criminosos só usam importadas;
7 – Bijuterias – 43% = É melhor usar as chinesas;
8 – Caipirinha – 77% = Bêbado paga dobrado;
9 – Conta de luz – 48% = Muito luxo, o sol é de graça;
10 – Xarope para tosse – 35% = Resfriado é um luxo!

Só brincando mesmo com tanta histeria.

Para onde vai os nossos impostos – A intervenção no Rio
A grana e a segurança estão associadas, em todos os níveis.
A grana e a insegurança, também, que o diga o crime organizado com os seus fuzis, os melhores de todas as forças…
Muito ruim ouvir nos noticiários sobre a intervenção militar no Rio de Janeiro, que não adiantou de nada e … recentemente o Exército comprou blindados com os recursos da intervenção, mas, como eles só chegarão em outubro, sobram novembro e dezembro para utilizá-los para melhorar o Rio de Janeiro, parece piada, mas, não é, depois serão usados pelo Exército, mas, não era para o Rio de Janeiro? Pois é… E se o Exército, com todo o dinheiro que não gastou e que agora gasta consigo, coloca-se em prática umas 10, 20 “Fábricas da Esperança” do Caio Fábio? Chamem os padres, os pastores, o Caio Fábio, etc e etc, os sociólogos, os psicólogos, os assistentes sociais, etc e etc… e vamos fazer alguma coisa pelas crianças, pelo futuro. Sem oportunidades o caminho fácil é o do tráfico, da morte… General, por favor!

Recordes de tributos x recordes sociais
“Mesmo com problemas econômicos, governo bate recorde de arrecadação em junho” Fonte: Economia – iG @ https://economia.ig.com.br/2018-07-24/impostos-arrecadacao-federal.html

Em contrapartida outros recordes também assolam à nação…
https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2018/08/09/brasil-bate-novo-recorde-e-tem-maior-no-de-assassinatos-da-historia-em-2017.ghtml

Não é chegada a hora (já passou da hora) de reconhecer que faltam investimentos sociais e que não adianta atingir recordes financeiros se o povo está com muitas dificuldades e morrendo e se matando?

Que Deus tenha misericórdia do Brasil!

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