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RASCUNHO

“A pedagogia da greve dos caminhoneiros”

Guerra… é paz na estrada!

Existe uma fábrica de lonas para caminhões, muito tradicional, cujo eco repercute nos quatro cantos do Brasil, com a sua marca cobrindo centenas de caminhões, neste momento pós greve dos caminhoneiros 2018. A dualidade implícita na frase é usada como slogan comercial, onde o nome da marca se propõe ser uma paz, mas acabou sendo aplicado, ipsis litteris, neste novo momento brasileiro. Paz? Existiu a guerra, estamos em paz, mesmo com ou sem coberturas, e entre mortos e feridos não se salvaram todos… Da guerra à paz nas estradas!

Realmente a greve se tornou uma guerra. Não sei se ela trouxe a paz, mas a paz veio, seja pelo cansaço ou pelo atendimento as reivindicações, mas agora todos podem usar das estradas, seja para qual fim e agora os alimentos estão nas prateleiras, os remédios nos farmácias, etc e etc. A engenharia chamada Brasil, por mais tosca que seja, foi reorganizada.

Mas a greve, agora, é digna de muitas análises, algumas preciosas, outras apenas as pérolas dos “bois de piranha” do gigante adormecido, sempre.

Com os meus botões pude constatar:

1) O Lula com sua política acabou com o movimento sindical, mas eis que vem uma categoria, dispersa, e faz a maior greve brasileira de todos os tempos, sem sindicalismo, sem central sindical nenhuma. Por mais que tenha sido detectados elementos estranhos à categoria infiltrados no movimento, como garante as autoridades de plantão, não foi tão crucial e tal fato é surpreendente e digno de tratados de sociologia pelos nossos doutores do mister, e se eu fosse um deles faria um livro: “O sindicalismo brasileiro acabou no Irajá”;

2) O Brasil é muito grande e sou testemunha disso, pois conheço a grande maioria das capitais brasileiras e os interiores de tirar o fôlego de qualquer mortal, seja a arquitetura da natureza nas Serras Gaúchas, o mar e suas nuances nas florestas da Rio-Santos, o litoral nordestino, o rio Parnaíba com as suas foz no Maranhão e Piauí, o Pantanal, ou simplesmente as Cataratas do Iguaçu, tudo parado! E são apenas cinco de mais de 500, no mínimo, de belezas desta terra brasileira. Não sei com qual direito, e o tamanho das lideranças, não vi ninguém com mais de 100 votos reivindicar alguma coisa, mas eles pararam o Brasil, isto é real, patenteado e até surrealista;

3) Não sei se é uma bomba-relógio para estourar a partir de janeiro de 2019, mas ficou claro que outras soluções precisam ser buscadas, os brasileiros não podem ficar reféns, encurralados em suas casas, onde a “curra psicológica rodoviária” aliena e desagrega o ser humano nos seus direitos fundamentais, muito além de ir e vir, mas de se alimentar, de comprar remédios, de se divertir, de ir trabalhar, entre outras, por falta de combustível.

4) Hora do Brasil pensar em ser Brasil. Seja investindo nas ferrovias, no transporte marítimo, no investimento de carros a gás e álcool, mas sobretudo no respeito aos trabalhadores para que tenham garantido o seu sustento e de suas famílias através do trabalho. Soluções paliativas resolvem no imediato, mas não garantem a dignidade de viver nesta terra tão abençoada e que pode ser abençoadora, precisamos de soluções perenes;

5) A análise do “Le Monde” é muito pertinente, e a conclusão que não está escrita é óbvia, os donos do Brasil são os bancos, principalmente os grandes que detém mais de 80% da dívida brasileira. O Lula trocou a dívida externa pela dívida interna, só com uma boa moratória para se viver neste país, pois ainda se espera mais cobranças do exterior pela má gestão da Petrobras e são os brasileiros que deverão pagar a conta. Compartilho o link do texto do “Le Monde”: https://diplomatique.org.br/13-pontos-para-embasar-qualquer-analise-de-conjuntura/

Assim como cozer quer dizer algo bem diferente de coser, greve pode ser grave ou não, mas a dos caminhoneiros foi hiper grave, uma letrinha, sempre, pode fazer uma diferença crucial.

Gostei de ver o Presidente Temer na Assembleia de Deus (AD) agradecendo aos céus. Devemos agradecer mesmo. O triste é este grupo da Assembleia de Deus, fazer apologia em nome de Deus, buscando os holofotes do momento. Este grupo, liderança de Madureira, estima-se com mais de 10 milhões de fiéis e um dos líderes, também bispo, Samuel Ferreira, filho do todo poderoso bispo Manoel Ferreira, teria sido citado pelo dono da JBS na Lava-Jato. O fato é que o Ministério Madureira da AD é muito politizado, mas não se pode garantir que o apoio dos líderes se traduzam em votos como na Igreja Universal. Hoje com dezenas de grupos fora do “comando” central – CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil) – e com as saídas deste grupo, recentemente, de Silas Malafaia e Samuel Câmara, oponentes de José Wellington Bezerra da Costa, que fez o seu filho sucessor à frente da CGADB, José Wellington Costa Junior, a Assembleia de Deus está muito dividida, já que o Ministério Madureira já havia se afastado há muito tempo atrás. Para mim foi excelente o episódio porque estou finalizando uma revista com pequenos perfis de juízes evangélicos brasileiros e sei que um dos quatro filhos do velho José Wellington é um jovem juiz e com excelente formação nos EUA. Ainda hoje entrarei em contato com lideranças da Assembleia de Deus para fazer a ponte e ter o juiz na minha revista que deverá sair ainda neste mês e será distribuída para as maiores autoridades judiciárias do país.

Paz na estrada e em todos os cantos, mas tal paz só com Jesus, sem ele é este desastre que se vive aqui no Brasil, muitos com vida sem vida…

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